Safari de verdade com baixo custo!

 

Garden Route

E então chegou a hora do Safari! Deixamos Franschhoek, nosso pneu da van furou (alugamos da Avis e estava careca!) e em 6 horas chegamos no hotel da Rota Jardim. A estrada é linda, tranquila, com postos para parada. Tirando a mão inglesa, de resto é super simples.

Como decidimos por esse hotel é uma história que vale a pena ser contada. Busquei muito, muita navegação na internet para conseguir um resort com game reserve (aqueles resorts que tem dois safaris por dia nos jeeps/pequenos caminhões – característicos dos safaris). O primeiro problema foi achar resorts que aceitassem crianças pequenas. A grande maioria dos hotéis aceitam apenas crianças a partir de 9 ou 12 anos. Aí encontrei algumas opções que aceitam crianças pequenas e bebês (como era meu caso), mas com um preço que eu não conseguia pagar. É o caso do Sabi Sabi. E aí se esgotaram as opções que encontrei nos blogs em português. Então comecei a buscar outras opções de blogueiros de outros países. Acabei conhecendo uma agência especializada em safaris, de Londres. Ela tinha muitas opções, para todos os bolsos, gostos e idades! E ainda mais, tem sempre muitas promoções. Nós fechamos com essa agência e eu recomendo demais. Um pré e pós venda impecáveis! Me procuraram diversas vezes antes da viagem com dicas, documentação, informações do hotel e da região.

Dá uma olhada na agência, lá com certeza deve ter alguma opção com seu gosto e bolso, além de muitas promoções!

O hotel que escolhemos foi esse aqui. Tinha pelo menos umas 3 opções no site, mas esse hotel, na época em que ficamos estava com uma promoção excelente, pagava 3 noites e ficava 4, com café e jantar (meia pensão) e dois safaris por dia. Ele não é luxuoso, mas li muito bem a respeito e adorei a nossa decisão.

Esse foi o hotel, ele saiu por causa da oferta dessa agência, cerca de USD150 por noite, toda a família (lembrando que o preço de balcão desse hotel é cerca de USD250 por noite)

Apesar de não ter o luxo dos resorts 5 estrelas, ele é lindo, tem um atendimento delicioso e tem tudo o que precisamos! Ao chegarmos, eles foram muito atenciosos. Sucos, bonezinho e kit para as crianças. No quarto, um cesto com brinquedos, dvds e pipoca de micro-ondas para as crianças. Já teria um safari naquele fim de tarde. Mas achamos que seria muito para as crianças e preferimos ficar curtindo o quarto, dando um banho de banheira bem gostoso nas crianças e nos preparando para o jantar.

Muitas pessoas perguntam quanto dias ficar num game reserve. A maioria passa apenas dois dias, claro que por causa do custo, eu acho 2 noites pouco, fica corrido para poder encontrar todos os animais da reserva (3 safaris). Creio que o ideal sejam 3 noites. Você consegue ficar um dia completo no hotel. Nós ficamos 4, para nós foi legal para desacelerar da viagem, descansar, ficar um pouco de pernas pro ar. E tem algumas atividades para fazer lá, logo irei passar por elas.

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Vista dos quartos
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Os elefantes eram nossos companheiros nas refeições – vista do café da manhã
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cabaninhas perdidas na savana
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nossa piscina

Os jantares sempre gostosos, as bebidas não estavam inclusas, mas os preços bem justos, vinhos deliciosos e com preços pouco mais caros que de lojas especializadas. Sempre tinha opções de sopas, diversas saladas, opções vegetarianas e menu kids. Acabou que nem precisamos pedir menu kids no jantar, pois dava para comer super bem o buffet, sempre com muitas opções de carnes, massas, legumes. Ah, e tem carne de caça em todas as refeições, carne de javali, gnu, avestruz. Eu não fui muito nelas não, mas o Bruno aproveitava!!!

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Todas as refeições tinham um menu de sobremesa incluso. De manhã, o safari começa bem cedo, antes do sol nascer, para acompanhar os animais nos horários de maior movimentação deles. Ou seja, estava meio escuro e bem frio! Antes do safari eles servem um desjejum básico, com café, chás e chocolates quente, alguns biscoitos e petit-four e bolinhos salgados, Algo para comer rapidinho antes de sair para o Safari. E as crianças ganharam todas as manhãs um kit lanche, com fruta, iogurte, cereais, que leva no jeep. Eles nos ofereciam uns ponchos bem longos e quentinhos, pois como o jeep é aberto, o frio era grande. Estávamos muito excitados nesse nosso primeiro safari! Encapotados deixando apenas o olho e nariz de fora, cobertores, máquina fotográfica e muita vontade!

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safari
Esse foi nosso Ranger querido, Abby, que com tanto conhecimento e delicadeza nos colocou no mundo desses animais. Fizemos safaris só a gente ele e com tda a paciência do mundo, parava a cada pássaro, procurava porco espinho (Theo segura o espinho que ganhou de presente), esperávamos o hipopótamo sair da água. Enfim, nosso mutio obrigado ao Abby que tornou nossa viagem inesquecível, desde nossa chegada no hotel!

O primeiro elefante avistado foi motivo de muita alegria. Visitar um animal no seu habitat natural, com seu espaço respeitado, faz muita diferença. Acho que essa é a grande magia de um safari. Os animais estão na casa deles, sendo respeitados, com o mínimo possível de intervenção humana e você é que vai “engaiolado” e visitar e conhecer seus hábitos.

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Uma coisa muito legal que fizeram foi dar um mapa da reserva, giz de cera e um catálogo com desenhos de todos os animais que moram nela. Theo ficava maluco tentando achar algum animal, depois localizar no catálogo da reserva e marcar que ele tinha visto. Vamos guardar essa recordação pra sempre!

Nina amava ver as girafas, os rinocerontes, leões, elefantes e todos os outros. Ela dava gritinhos e falava muito do jeitinho dela, excitada em vê-los! Mas para o Theo a viagem foi inesquecível! Ele sempre se interessou muito por ciências naturais e estava muito curioso sobre os hábitos dos animais, o que comiam, onde dormiam, qual a velocidade de fuga…enfim, essa experiência marcou o coração e a vidinha dele como nada até o momento tinha feito! Recomendo demais para os pais que tenham essa possibilidade!

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Perto das 9 da manhã, o primeiro safari se encerra e é a hora do café da manhã. Aí sim, um super café da manhã, completíssimo. E o restaurante tinha vista para alguns grandes animais, como elefantes e girafas (quando eles estavam passeando, porque a reserva era grande e nem sempre eles estavam por perto).

Depois do café, fomos visitar o cento de répteis do hotel. Eles têm cobras, tartarugas, crocodilos. As crianças puderam caminhar junto com tartarugas gigantes e pequenas, apostaram corridas com elas, tocaram em cobras e olharam (de trás do muro) os crocodilos.

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Almoçamos no restaurante, com um bom cardápio à la carte, menu kids com algumas opções bem gostosas (espetinhos de abobrinha com tomate, bifinho, macarrão a alho e óleo. Ah, a batata frita era batata doce, até isso foi melhor que o esperado!

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Dia de piscina e almoço pós Safari.

Durante a tarde a Nina dormia o sono dela e o Theo brincava no parque, lá fora, nos espaços para as crianças. Tinha a piscina, mas não era aquecida, isso é algo que poderia ser melhorado no hotel. E no final do dia, tínhamos mais um safari que acabava na fogueira, com chá, chocolate quente e aperitivos alcoólicos para aquecer e ver o pôr do sol. Depois banho e jantar gostoso!

Conseguimos avistar quase todos os animais que as crianças estavam com expectativa. Faltou apenas o porco espinho (que é enorme na África, cerca de 1m de altura). Ele tem hábitos noturnos e não fizemos nenhum Safari noturno. E o hipopótamo. Sempre que chegávamos pertos dos lagos onde eles ficavam, conseguíamos ver seu nariz e olhos, mas eles não saíram da agua nenhuma vez para que pudéssemos vê-los inteiros!

O hotel tinha uma lojinha/boutique. Itens lindos e de bom preço. Foi ótimo para comprar as últimas lembranças (a lista de lembranças sempre cresce) com preço bem legal, quase a mesma coisa das lojinhas de artesanato das cidades.

No último Safari, tivemos um dia de auge com a cheetah e os leões, foi um dia lindo, onde eles estavam agitados. Passamos 4 dias procurando pela cheetah e conseguimos achá-la! Foi inesquecível!

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E o rei até sorriu pra gente!
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E parou para fazer pose no meio das flores….
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Ela foi a estrela do nosso Safari, pela alta velocidade, é difícil encontrá-la!
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Nossa amiga cheetah

Agora um pouquinho das flores sul-africanas…merecem um destque!

E as estrelas do Safari…os animais!

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Os pássaros…como fizemos vários safaris, tivemos tempo para apreciá-los!

Nossa amiga leoa, um gatinho bem crescido, segundo as crianças

E as savanas africanas lindíssimas sob o sol da manhã e de fim de dia

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E como terminávamos nosso dia pós safari, numa fogueira com chocolate quente e aperitivos!

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Mini-fotógrafos, com celular e com nada, pois a criatividade é quem manda!
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E assim, cheios de decobertas e alma plena, terminamos nosso safari!

 

Deixamos o hotel para nossa última perna: Johanesburgo.

Fomos do hotel para George, uma cidade há cerca de 1 hora de onde estávamos, assim não precisaríamos voltar. A logística é um item que deve ser muito bem pensado em viagens como essa. Gosto muito de pegar um carro num lugar e devolver em outro. Isso encarece, porque acrescenta a taxa de devolução em lugar diferente, mas vale a pena, pois podemos seguir viagem sem ter que voltar.

Procurei por passagem de baixo custo entre George e Johanesburgo. Achei passagens por 1/3 do valor da South African na companhia Fly Safair. Fiquei com receio de aviões sem manutenção, atrasos, etc. Procurei por reviews e vi que era uma boa companhia. Foi um bom negócio, tivemos que pagar as malas despachadas a parte (mas custaram 15 reais cada).

Johanesburgo

Nos falaram tanto sobre o perigo da cidade que fiquei um tanto alarmada, confesso. Então planejamos apenas dois dias por lá. Ficamos num hotel super legal ao lado de um centrinho comercial com restaurantes e lojas muito legais.

Fomos visitar o Museu do Apartheid. Nossa, foi impressionante! Na entrada você já sente a classificação entre negros e brancos, as entradas são diferentes (na compra do ingresso, você aleatoriamente é classificado como negro ou branco e deve usar a entrada específica). A entrada custa em torno de USD7.

A história do Mandela é contada com riqueza de detalhes, assim como fica muito claro o amor que eles têm pelo querido Madiba e tudo o que ele fez pelos sul-africanos. Detalhes de torturas, das guerras e conflitos pelos quais o país passou são contados com muita música e recursos audiovisuais. Por muitas vezes você se emociona e se já estava apaixonado pela África do Sul, você aprende a respeitar ainda mais o país e todos os problemas pelos quais eles tem lutado contra.

Foi lindo ao final do passeio, encontramos uma turma de escola de crianças, em torno dos seus 6 anos. Eles estavam assistindo um show em homenagem ao Mandela, ao lado de frases dele. Nesse ponto você pegava uma varinha colorida e colocava na frente da sua frase escolhida. As crianças fizeram a atividade e começaram a cantar e dançar a música em homenagem a ele, de forma espontânea. Eles têm tanta musicalidade, tanta dança, tanta energia. Não teve como não parar tudo apenas ficar com o coração batendo mais forte com aqueles pequeninos cantando e dançando com tanta emoção! Foi lindo!

Essa é a música que estava tocando. Não é o mesmo vídeo, não encontrei o que passava no museu, mas encontrei esse clipe lindo do Johnny Clegg. Imaginem uma turma de escola, com toda a musicalidade, infância e inocência cantando essa música.

A visita para Johanesburgo acabou sendo mais contemplativa e de choque de realidade. Os taxis que pegamos tinham medo de andarem em determinadas ruas, mesmo durante o dia, tinham spray de pimenta no carro. Nos falavam todo o tempo sobre os perigos de andarmos na cidade. No taxi, no hotel, no restaurante. Claro que isso nos amedrontou. Não vimos nem vivenciamos nada, apenas sentimos que ainda há muito caminho a ser trilhado por lá para que o Apartheid seja esquecido, se torne apenas uma amarga lembrança. Ainda vimos resquícios de pontos de ônibus para brancos e negros, em geral distinção entre as profissões e pessoas e uma certa discriminação, principalmente em Johanesburgo,

O apartheid só acabou em 1990, é muito recente, feridas ainda estão abertas. O país ainda sangra com essa dor. Não tivemos apartheid nem nada tão escancarado, mas não tem como não compararmos com nossa própria situação. Não estamos muito longe, mas isso é assunto para outra história.

Uma dica sobre esse museu. Estávamos procurando desde o começo da viagem, alguns CDs de músicas africanas. Na loja desse museu tinha livros, cds, dvds, camisetas, enfim…nela encontramos os cds que tanto procuramos!

Sawabona Shikoba!

SAWABONA é um cumprimento usado no sul da África e quer dizer: “Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim”.

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA, que é:

“Então, eu existo para você”

Dicas gerais

Vacina de febre amarela com certificado internacional é obrigatório! Tome a vacina em qualquer postinho e depois vá em algum hospital que transcreva para o certificado internacional. Aqui em São José dos Campos, o hospital Pró-Infância faz isso e cobra R$25,00 por certificado. Caso contrário, o aeroporto de Guarulhos também faz.

Compramos chip assim que chegamos lá, pois utilizamos o waze do nosso celular. Então não tinha a minha linha telefônica liberada (e nem pretendia usa-la), mas tinha meu whats-app com número do Brasil, e acesso à internet!

Instale o Uber se você ainda não usa. Ele foi suuuuper útil, pois mão inglesa na estrada vai, mas nas cidades….

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Obrigada por ter chegado até aqui e te esperamos na próxima viagem!

4 comentários sobre “Safari de verdade com baixo custo!

  1. Ana Paula

    Amei a matéria Dani, … viajei junto!
    Parabéns Bruno, as fotos estão incríveis, de verdade!!!
    Queria muito o vídeo SAWABONA SHIKOBA, seria possível?
    Beijos 😘😘😘

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  2. Osvaldo Pasqual Castanha

    Muito legal! Parabéns pela descrição minuciosa. E parabéns também pelas fotos incríveis do Bruno! Claro que o foco era o safári, mas como você incluiu também Joanesburgo, valeria pena, também, ter falado um pouco sobre o Cabo da Boa Esperança, capítulo importante da história brasileira. Sawabona Shikoba!

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