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Trekking com crianças na Pedra da Macela

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Durante a descida, quando Nina queria caminhar. Pegamos neblina uma parte do caminho.

Este post foi feito após uma conversa com uma amiga do trabalho que comentou que achava muito legal as aventuras e viagens da minha família, mas que estavam um tanto atrás e não sabiam por onde começar. E que na verdade precisavam de coragem e pequenos passos para começar a se aventurar com os pequenos por aí.

Aí lembrei de um passeio perto de casa, com natureza, caminhada, restaurante legal, paisagem bonita e o melhor… bate e volta. Dava para dormir em casa no final do dia, ou querendo estender, numa pousadinha na cidade. Ou seja, começando a se aventurar, com segurança e algumas facilidades, mas com gostinho de aventura.

E assim essa proposta de passeio é feito para essas famílias, bora deixar a zona de conforto de lado e mostrar um outro passeio para nós mesmos e nossos filhos? A sugestão hoje é a a caminhada da Pedra da Macela, em Cunha.

Cunha fica há 135km de São José dos Campos, SP e leva menos de 2 horas pela Dutra, se vier de São Paulo, acrescente mais uma horinha nesse tempo.

A Pedra da Macela fica no município de Cunha, é uma pedra de frente pra baía de Paraty, ou seja, tem visão do topo da Serra do Mar para toda as praias de Ubatuba a Angra dos Reis e Ilha Grande! Ela é na divisa entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e tem 1840m de altitude, mas com o desnível que você vê tudinho até o nível do mar!

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No alto da Pedra, mas sem conseguir ter a visão super aberta da baía de Paraty. Motivo para voltarmos outro dia!

Para a caminhada são 2km de trilha apenas (cada perna), mas não são super fáceis porque o desnível é alto, tem bastante subida. Mas se servir de consolo, meu filho tem 5 anos e subiu com facilidade, na minha frente inclusive, puxando o ritmo. Já começo contando a distância para que você se anime a fazer.

Cunha também é uma cidade cheia de atrativos. Tem o lavandário, com visitação ao campo de plantação de lavandas e produtos de lavandas, inclusive bolos e sorvetes.  Aqui você pode conhecer um pouco do lavandário.

Tem as famosas cerâmicas artesanais. Com aberturas de fornadas e vendas o ano inteiro de peças lindas. Visitar o lavandário e as cerâmicas já valem o passeio, imagina se colocar um pouquinho de aventura nisso! Só não dá para encaixar tudo num dia não tá? Para essa programação completa, pense no final de semana.

E também tem as cachoeiras. Como está no começo da Serra do Mar, tem algumas opções interessantes de cachoeiras. Nesse dia, fizemos apenas a trilha e restaurantinho legal, mas em outras oportunidades já visitamos a cerâmica. Nesse post abaixo, tem infos bem legais das trilhas das cachoeiras.

Como chegar

A Pedra da Macela tem seu acesso ou pela BR-116 – Dutra ou pela RJ-165 – a estrada Paraty-Cunha. Esta segunda não é muito aconselhável, pois normalmente é para veículos 4 x 4 e está sujeita a desmoronamento e fechamento.

Vindo na Dutra sentido Rio de Janeiro, saia no km 65 (Guaratinguetá) e siga em direção a Cunha, pela SP-171 estrada Cunha-Paraty. Saia no km 65 dessa rodovia. De lá, são apenas 4km de estrada de terra até a porteira  de Furnas, onde se estaciona o carro. No alto da Pedra há uma antena, então a trilha da Pedra é alsfaltada, por causa da manutenção dessa antena de transmissão, mas só carros autorizados podem seguir. É nesse ponto que dá início aos 2kms de caminhada, em subida e estrada asfaltada.

Ah, pode colocar no Waze “Pedra da Macela” – te leva direitinho até o estacionamento. Bendito Waze!

Lá não tem infraestrutura nenhuma, banheiro, nada. Então leve seu lanche, sua água, bonés e muito importante, traga de volta todo o seu lixo.

Quando ir a Pedra da Macela

Não existe controle de visitação, então você pode ir em qualquer época. Também não há nenhum tipo de pagamento a ser feito. O único cuidado é a época de chuvas, porque corre o risco de além de pegar uma no caminho, é chegar lá em cima e não conseguir ver toda a beleza que se descortina da vista. Isso aconteceu conosco e nós subimos em abril, não era uma época de muita chuva. Não choveu, mas ficou um dia com muita neblina e vimos só um pouquinho da vista prometida como sensacional. Para nós não afetou em nada o passeio, porque queríamos a caminhada, o piquenique de cume, a convivência familiar e a natureza. Mas se você quiser muito conseguir ver a vista, é melhor planejar o passeio num dia de céu claro.

Muitas pessoas também sobem ao final do dia para acampar lá em cima e ver o sol nascer do mar. Ainda não fizemos, está na listinha como uma aventurinha a ser feita!

Dicas para as famílias

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A trilha sempre calçada

Como falamos, a caminhada tem 2km cada perna, 4km no total. É íngreme, mas encontramos tantas crianças, idosos, famílias inteiras fazendo a caminhada. Eu fiquei particularmente muito feliz com o trânsito de pessoas subindo e descendo, apreciando o esporte e a natureza!

Se estiver com pequenininhos, abaixo de 3, 4 anos, carregadores de pano e mochilão, ou eventual cangote (pequenos trechos), além de um descanso ou outro, fazem vencer os 2 kms de subida. Pra baixo? Bem mais fácil! Precisa apenas de disposição, força de vontade, paciência para esperar os pequeninos no ritmo deles.

Levar bonés, água suficiente, lanche (fizemos um piquenique gostoso lá em cima) ou apenas um básico pra aguentar até descer até um restaurante. Câmera fotográfica, protetor solar, tênis confortável e uma blusinha (lá em cima estava bem mais frio que embaixo).

Nossa ida+volta, considerando piquenique, nossa pequenina de 2 anos que quis andar na parte mais íngreme da subida e esperamos o tempinho todo dela subir+ brincadeiras e fotos no cume, durou 3 horas. Super razoável não?

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Estacionamento e o pedido das crianças para pisar na poça. Esse foi o começo da farra!

 

Onde comer

Nós comemos num restaurante na estrada da pedra da Macela mesmo, que estava no caminho e muito bem recomendado pelo tripadvisor. Era esse aqui.

Ele é mais carinho, mas é uma delícia e deram uma atenção especial pras crianças. Nós adoramos essa parada. É pequenino, boa seleção de vinhos e cervejas artesanais (eu não era motorista, então aproveitei) e pratos com ingredientes regionais e frescos deliciosos. Meu prato era de shitake, com pesto de pinhão e estava de comer rezando! Pão e massas feito no local.  La Taverne Bistro.

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Deliciosa surpresa do caminho
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Estava de comer rezando!

Cunha-5284-EditMas tem dezenas de opções na cidade, para todos os gostos de bolsos. Recomendo o Tripadvisor como site de referência para buscas de restaurantes.

Para os amantes de cerveja, entre a Pedra da Macela e o restaurante que comemos, tem uma cervejaria artesanal bem conceituada.

Conheço alemães e austríacos que quando vem pra cá, sempre dão um jeitinho de passar nessa cervejaria.

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Estradinha da cervejaria

Enfim, espero que tenham se animado a arriscar nessa caminhada e vivenciar o que só aqueles que saem da zona de conforto conseguem!

Apenas para fechar, uma mensagem da minha infância no grupo escoteiro, mas que cabe muito bem para cada passeio desse, que ele esteja sempre vivo na sua memória e coração:

“Da natureza nada se tira, a não ser fotografias…
Nada se leva, a não ser lembranças…
Nada se deixa, a não ser pegadas…
Nada se mata, além do tempo”

(desconheço o autor)

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Nosso querido fotógrafo, com olhar sensível e muito amor em cada fotografia, não esquecemos de vc!