Acampando na Florida

Camping
A noite, num cantinho da Florida, vivendo nossa essência.

Esse post é dedicado a quem mora nos Estados Unidos e quer começar a se aventurar acampando por aqui. Ou pra quem já tem prática com acampamentos no Brasil, mas ainda não esteve desbravando a natureza daqui.

Segue um curto vídeo sobre acampar nos Estados Unidos, nesse video mais detalhado sobre a Flórida.

Somos escaladores e montanhistas e estávamos sempre acampando no Brasil com nossos pequenos. E agora aqui não podia ser diferente! Quando você sente sua energia renovar-se após um bom acampamento em família, sua mente já fica criando a próxima oportunidade.

Acampávamos em diversos lugares no Brasil, mas nossa preferência eram os parques, Nacionais, estaduais ou áreas de preservação. E aqui com uma cultura tão sólida de turismo de parques, não podia ser diferente. Como estamos na Florida, não temos montanhas, mas em compensação, a região é generosa em praias especiais e parques onde a atração principal é a água.

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Acampamento armado. A gente brinca que aqui o camping é mais “nutela”, pois note onde o carro fica estacionado! E todo o “luxo” de infra-estrutura que conseguimos levar.

E como é acampar aqui? Quais as diferenças? Primeiro é a infra-estrutura. Chegamos perto do ThanksGiving, um feriado tão significativo quanto o Natal, para os americanos e tentamos conseguir alguma reserva cerca de duas semana as antes do feriado. Pro nosso choque, não havia um lugarzinho de barraca disponível, umzinho só… Então, se possível, se planeje e reserve com antecedência. Em alguns lugares muito conhecidos e procurados, de 2 a 6 meses! Mas sempre achamos um cantinho para armar a barraca, pode não ser dentro daquele parque especial, mas um chãozinho sempre tem.

Quando se fala em acampar, no pensamento americano, pode ser com barracas ou com RV (recreational vehicle – Motorhome para brasileiros). Então vai da sua preferência e bolso.

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Todos os campings, mesmo os mais simples, como esse acima, tem lugares para fogueira, mesa e churrasqueira. Repare que essa foto é bem do nosso começo aqui na Florida. caixa de papelão, fogareirinho de benzina de uma boca.

Como e onde acampar

A estrutura americana é formada por Parques Nacionais (como Grand Canyon, Everglades, Yosemite, etc), Parques Estaduais, Florestas Nacionais e Áreas de Preservação Nacional. Também tem campings particulares em todas essas áreas de atrações naturais.

São 62 Parques Nacionais no país e todos eles pode-se conseguir reserva para acampar por aqui.

As regras variam. Tem parques que abrem a reserva exatamente um mês antes da data que você pretende acampar, o que acho ótimo, porque nesse caso você não precisa de 4 meses de antecedência. Outros já ficam abertos o ano todo, e nesses fica bem difícil conseguir vaga. Os maiores e mais procurados estão em geral com essa regra dos 14-30 dias de antecedência (como comparação, Itatiaia no Brasil tem a mesma regra).

O Yosemite, camp 4, que é acho que o mais conhecido e procurado, funciona na base de chegar e participar da “loteria”, ou seja, sorteio das vagas que estão, tendo um máximo de 7 noites por lá. Então os parques Nacionais andam com critérios bem justos para se conseguir vagas.

Outro critério importante ao fazer a reserva é escolher a vaga para RV (nesse caso ela é ampla e normalmente tem uma estradinha plana /ou quase para se estacionar a RV. Ou barraca, ou áreas mistas, e ai você precisa citar com o que ira acampar. Todas as áreas colocam o número máximo de pessoas, barracas, carros e RV por campsite.  E tem também os lugares com eletricidade, água e algumas vezes esgoto (full hookup se fornecer esses 3 serviços). Nos parques Nacionais, o comum é encontrar eletricidade e água. O esgoto normalmente fica na entrada/saída dos campings.

Os preços da diária nos parques variam de 20-50 dólares (depende se fornece eletricidade ou não).

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Por dentro do nosso hotel todas as estrelas

Outras formas de acampar se não forem nos Parques Nacionais.

  1. Parques Estaduais, pode-se fazer a reserva através desse site.
  1. Florestas Nacionais e áreas de preservação Nacional – são áreas que não tem a mesma importância de um parque Nacional, mas são gerenciados pelo Governo Federal americano, o mesmo que gerencia os parques Nacionais. A diferença é que normalmente estão em áreas preservadas e algumas vezes próximos aos parques Nacionais, mas sem ter as mesmas atrações tão concorridas. Acampar em florestas Nacionais é menos concorrido e mais barato. As reservas também são feitas pelo site que faz as dos parques nacionais.

Dando o exemplo aqui da Florida, são 3 parques Nacionais, todos ao Sul do Estado. São 175 parques Estaduais e 3 Florestas Nacionais. Ou seja inúmeras possibilidades de acampamento e conhecer essas lindas regiões. Uma dica super legal eé acampar nos springs da Florida, e você pode ver aqui o que são, como fazer para ir e as atividades de la.

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Spring da Florida, para te inspirar a ir acampar num desses maravilhosos lugares. Dá uma olhada nos posts sobre eles.

Infraestrutura

Os campings dos parques Nacionais e Estaduais, todos tem a área delimitada para seu camping, na brincadeira chamamos de latifúndio, pois normalmente é uma área bem grande que esta incluída na sua reserva. Nessa área tem uma mesa com bancos, uma fogueira de chão e uma churrasqueira. E uma torneira com água. TODOS. Isso é super legal, pois você sabe que pode contar com essa estrutura e se planejar. Algumas tem redário.

Esses campings também tem banheiros com chuveiros, normalmente quentes, a não ser que a área seja muito remota. Mas essa informação está sempre bem clara no site do camping, quando você vai fazer a sua reserva. Os maiores parques, tanto estaduais quanto nacionais, tem máquinas de lavar roupa e secar a disposição (no esquema de pagamento por quarters – moedas de 0,25 centavos de dólar).

A eletricidade depende, pois normalmente tem lugares com eletricidades e mais caros, ou sem e mais baratos, ai vai da sua escolha e disponibilidade.

O único porém pra quem vai de barraca é para lavar a louça. Alguns parques têm pias comunitárias próximo ao banheiro, mas são minorias. Então é muito comum você precisar lavar a louca na torneira do seu camping, o que não é lá muito confortável.

Lenha e gelo tem sempre nas pequenas lanchonetes dos campings para vender. Nos acabamos por comprar o gelo no segundo dia, mas saimos de casa abastecidos. Lenha normalmente compramos no camping mesmo. E também sempre tem algumas coisinhas básicas pra vender nas pequenas lanchonetes. Mas não conte com isso. Defina seu cardápio e saia de casa com suprimentos para todas as refeições.

Sugestões de refeições fáceis para as noites de camping são mexicano, hamburguer, macarronadas. Durante o dia passamos com snacks, frutas e wraps.

O que levar

Como os campings daqui são muito mais estruturados que os brasileiros, nós temos algumas histórias engraçadas. Tínhamos fogareiro de benzina no Brasil, super técnico, pois era necessário carregarmos toda a carga na mochila. Ai chegamos aqui e fomo acampar com nosso fogareirinho pequeniníssimo de uma boca, levamos comida liofilizada (aquelas desidratadas de pacotinho) e estávamos felizes da vida preparando nosso jantar. Quando chega nosso vizinho de camping, com uma caminhonete enorme, baixa uma churrasqueira e uns bifões enormes. E o cheiro maravilhoso de churrasco no ar. Meu filho pergunta…sério que ele vai comer churrasco e nós essa comida? Foi engraçado! Ai começamos a preparar nosso camping um pouco mais “nutela” para se adequar a forma americana e gostosa de acampar. Claro que ainda é possível acampar de forma mais técnica. Mas aqui está tão fácil acampar assim, que nos adaptamos fácil!

Então fiz um check-list do nosso acampamento “americano” e coloco pra vocês. Quem sabe já facilita a vida!

 

Check list Camping na Florida

Camping

– Barraca

– Lona para colocar debaixo da barraca (se não tiver essa lona/toldo, um jornal velho já ajuda a proteger da umidade e protege a barraca)

– Saco de dormir, colchonete, ou colchão inflável

– Isolante térmico (isso é bem importante para proteger da umidade, pode ser mat de yoga de borracha, tapetinho de criança de borracha, qualquer coisa que isole da friagem do chão). Caso seja colchão inflável de camping, ele já tem esse isolamento.

– Travesseiro (se sentir necessidade)

– Cobertores

–  Lanternas

– Lona (para barracas não muito resistentes a água, para colocar por cima da barraca em caso de chuva) – barracas novas ou de qualidade não precisam dessa lona.

– Canopy  (essas tendas de praia mesmo). Se tiver, é legal para colocar em cima da mesa (todos os campings tem mesa). Protege do sereno e chuva.

Cozinha

– Fogareiro

– Gás reserva

– Panelas, frigideira, tabua de corte, etc (pensar no cardápio)

– Pratos, copos e talheres (alguns talheres para cozinhar) – para toda a família

– Cantil, Squeeze, Streamer, ou qualquer garrafa para água (para todos)

– Sabão e esponja para lavar louça

– Pano de prato

– Cadeiras (de praia ou camping –quem tiver)

– Garrafas de água mineral (suficiente para todos e cozinhar, todos os dias)

– Lenha (normalmente uma família usa um fardo de lenha por noite) -no publix é o lugar mais barato.

– Vinho ou bebidas que tomar (quem tomar) e taças ou canecas – o que for da preferência

– Se tomar café, os apetrechos necessários para fazê-lo

– Isqueiro ou acendedor

– Rolo de toalha de papel

– Cooler com gelo (precisaremos de outro fardo para o segundo-terceiro dia, mas normalmente compramos lá, um por dia. Saímos com o primeiro dia daqui).

– Nós tb usamos um cooler de armário de comida. Um fica com as coisas de geladeira e o outro fica com comidas. Esse nosso segundo não é a prova de bichos (racoons abriram ele) então deixamos no carro, pra garantir.

– Toalha de mesa (eu levo essas externas de plástico)

Vestuário

– Roupas íntimas e meias

– Camisetas

– Bermudas e calça comprida

– Casaco

– Pijama ou roupa confortável para dormir

– Boné, ou outra cobertura de cabeça

– Roupa de banho

– Chinelo

– Calçado fechado (confortável)

– Capa de chuva

– Toalha de banho (piscina e banho)

– roupa de cama (se achar necessário, não for levar saco de dormir, etc.)

– Bóia de braço ou outra bóia que usem para as crianças pequenas

Higiene

– Toalha de banho

– Shampoo, condicionador e sabonete (se tiver banheiro e fizer questão do banho)

– Escova, pasta de dente e fio dental

– Desodorantes

– Papel higiênico

– Lenço umedecido

 

Outras coisas importantes

– Repelente contra insetos

– Protetor Solar

-Pilhas reservas para lanternas (tudo o que utilizar pilhas)

– Óculos de sol

– Canivete multifuncional

– Sacos plásticos (vários) para lixo, roupas sujas e molhadas

– Primeiros socorros

– Cordinhas, cabinhos ou sisal, para amarras, para prender o toldo, para estender roupa, dependurar coisas em árvores, para tudo!)

– Lampião, luminárias de acampamento (quem tiver)

Comidinhas por família

– Frutas

– Água para tomar e cozinhar para todos os dias

– Bebidas de preferência (sucos, sucos pequenos para trilhas/dia, cerveja e/ou vinho para a noite)

– Snacks para dia, beliscos a noite, etc.

– Comidas do cardápio abaixo

– Lembrar de temperos, azeite, cebola, açúcar, fósforo ou acendedor reserva

 

Por hoje é isso. Espero que se você more por aqui, se inspire a buscar outras atividades, curtir a incrível natureza desse estado lindo e aproveitar a convivência com família, amigos e natureza!

Boas aventuras!

 

Aventuras na natureza da Flórida

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Spring Silver Glen e sua água turquesa, um convite ao banho (mesmo frio).

Para aqueles que querem um pouco mais da Flórida do que os parques, as compras e as atrações urbanas, aqui  tem tantos outros encantos! Hoje vamos falar dos springs. As piscinas naturais da Florida, chamados de Springs, são regiões de afloramento do grande aquífero da Florida. Esse aquífero é formado por águas minerais, proveniente das chuva e do próprio lençol freático, são filtradas e resfriadas pela camada de calcário que existe na geologia da Florida.

Colocando de forma mais amigável, as piscinas naturais da Florida são alguns dos lugares de agua mais espetaculares que já vi! É tao bonito que a sua primeira reação ao entrar num spring é literalmente ficar boquiaberto e apenas contemplar de onde é possível vir tanta transparência e beleza!

Essas fontes, além de fornecerem água mineral para engarrafamento, e serem a maior reserva de água potável do estado, são regiões, parques e áreas de preservação ambiental (felizmente) e podem ser visitadas e admiradas.

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Cores de tirar o fôlego
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Mesmo fria em um dia de inverno, não resistimos

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Bora lá?

Onde ficam os springs?

Os springs estão espalhados pela Florida toda, são mais de 300 ao total, entre parques, áreas de preservação e áreas privadas, como é possível ver nesse mapa.

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Mapa de localização dos springs. Fonte: https://www.floridaspringlife.com/florida-springs

Além dos mapas, esse site traz muita informação sobre cada spring, de forma resumida, o que e possível fazer em cada um (alguns se pode nadar, outros não – por exemplo) e ajuda na decisão de qual spring visitar (em inglês).

Para decidir qual spring visitar, é importante verificar quanto tempo pretende ficar na estrada, pois, eles estão espalhados por toda a Flórida. Os exemplos abaixo são os springs mais próximos a Orlando. Clique no nome do parque para ir para o site principal do mesmo. Todos os springs tem uma taxa de visitação que variam de 5 a 8 dólares por pessoa.

Springs  mais conhecidos e a distância de Orlando:

Wekiwa Springs State Park – 45 min

Weeki Wachee Springs State Park – 2 horas

Esse parque é o que tem o show das sereias, que é um show que acontece num auditório subterrâneo desde 1947, 365 dias por ano e 3 vezes ao dia. Esse show é feito num aquário natural, com águas do spring, onde ocorre um show com 5 sereias. As crianças principalmente ficam encantadas. Atualmente as regras ambientais não permitiriam a instalação de um show como esse, mas como ele já ocorre há muito tempo, ele é mantido.

Blue spring State Park– 1 hora

Rainbow Springs State Park and Rainbow River– 1,5 horas

Three Sisters Springs– 1,5 horas

Dos lugares que cito, esse é o único que é privado, não um parque. Então ele é um pouco mais caro para visitação, mas oferece uma jardineira para transporte entre o centrinho da cidade e o spring. As regras de preservação, para entrar na agua são as mesmas dos parques.

Outra característica importante a considerar é a época do ano em que a visita ocorrerá.  Se for inverno, quase nenhum spring permite entrar na água, porque as águas nessa época pertencem aos peixes-boi. Mas pode entrar de caiaque e canoa, então você ainda pode remar com esse gigantes e dóceis amigos pertinhos de você.

Dá uma olhada nesse vídeo abaixo, foi em um dos springs onde estávamos remando e em baixo de nós tinha uma mãe e um filhote de peixe-boi. Foi um passeio inesquecível!

Atividades

Caiaques e canoas – Em todos os springs que fomos é possível alugar caiaques e canoas e fazer passeios nos lindos rios, com tartarugas, muitos peixes e aves.

Trilhas – trilhas de tamanhos variados para fazer, desde longas caminhadas até curtos passeios, inclusive com acesso a cadeirantes e portadores de necessidades.

Camping -todas os springs tem áreas de camping, alguns bem concorridos e difíceis de conseguir vagas. Acampar nos springs foi tema desse outro post aqui.

Mergulho snorkel com peixe-boi – em alguns springs é permitido fazer mergulho guiado com peixe-boi, como no caso do Crystal River, mergulho com snorkel.

Mergulho autônomo- mais uma opção de passeio nos springs é o mergulho. Em algum deles, e permitido mergulho com e sem equipamento.

Devil’s Den Spring – Williston, Fl

Manatee Springs State Park– Cheifland, Fl

Ginnie Spring– High Spring, Fl

Blue Grotto Dive Resort – Williston, Fl

 

Manatees

Quando você visita a Florida, além dos jacarés, um outro animal muito importante na fauna do estado é o peixe-boi, o manatee. Moro no litoral, mas aqui também desemboca um grande rio que forma inúmeros canais de acesso ao mar. No inverno, quando as aguas do mar se resfriam, os peixes-boi adentram pelos canais em busca de agua mais aquecida. As aguas dos springs estão sempre de 20 a 23 graus, o que é mais quente que a agua do mar no inverno. Nesses períodos, de novembro a marco, é possível encontrar dezenas de peixe-boi nos springs e canais. Eles são enormes, dóceis e em alguns springs é possível nadar, boiar, andar de caiaque e canoa ou mergulhar com eles. Em outros as regras são mais controladas. Mas todos eles tem oe manatees como ponto alto do passeio e de preservação.

Jacarés

Flórida é um estado que tem jacarés por todos os lados. Então você verá placas de que é possível encontrar algum jacaré nas aguas dos springs. Nós nunca vimos um nos springs. As aguas são normalmente frias para eles, então eles ficam mais nos lagos. Sim, já cruzamos com muitos jacarés nos nossos passeios, mas não nos springs.

 

O próximo post será sobre acampar na Florida, como fazer, o que levar, para motivar o turismo de natureza, o contato e a vivencia outdoor que é tão importante para nos e nossos filhos.

 

 

Acampando no Parque Nacional de Itatiaia com crianças e bebês

Em fevereiro desse ano Bruno e eu fu fomos para o parque Nacional de Itatiaia comemorar o aniversário dele. Sem as crianças, no final de semana do aniversário dele e  fizemos o que mais alimenta nossa alma…escalar uma via clássica. Fomos para fazer a Chaminé do Idalício e acampar. Era meu presente para ele.

E nesse acampamento, pensávamos o tempo todo em voltar e acampar com as crianças lá, propiciar essa experiência inesquecível que só esse lindo parque pode dar.

Voltando um pouquinho, Itatiaia é um dos lugares mais incríveis para quem ama montanha. É o primeiro Parque Nacional Brasileiro, intitulado em 1937 e fica na Divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais. E embora o tempo nas cidades esteja com quase 30graus, lá em cima pode ter a certeza que o friozinho chegará aos seus 10 graus a noite. Sem contar a vegetação de alta montanha e as paisagens de renovar qualquer espirito cansado de cidade!

Para inspirar antes mesmo de começarem a ler o nosso relato, dá um olhadinha nesse filme abaixo, quem sabe ele não serve de inspiração para ler o relato todo e já correr pro site agendar seu próprio acampamento!

 

E então planejamos para um final de semana após a liberação da entrada de carros. Já começamos com dicas para quem quer ir lá com crianças pequenas. Algumas épocas do ano, o símbolo do parque – o lindo sapo flamenguinho, está em reprodução. Esse período coincide com verão e época de chuvas. Em 2017, a partir de maio se encerrou esse período e então os carros com ocupantes que irão acampar podem passar e ir até o estacionamento do abrigo. Qual a diferença? Toda…são 4km entre a entrada do parque e o abrigo. Se não for autorizado a entrar com o carro, terá que estacionar na entrada do parque e caminhar esses 4km com as crianças e todo o equipamento. Isso pode não ser complicado para uma família com uma criança ou para pais “sherpa”, ou crianças maiores. No nosso caso, com 2 crianças, acampando em junho (com maior friaca) era bastante coisa e ir de carro até o local faria a diferença.

Turma em Itatiaia
Nossa turma completa, 12 adultos e 6 crianças e bebês.
Outro ponto muito importante a ser considerado quando se pensa em acampar lá. Quando acabam as chuvas e começa a “temporada” de montanha, o resto do Brasil também tem a idéia de acampar lá. Isso torna conseguir vaga de camping e abrigo uma aventura a parte.

O parque é extremamente organizado. Para acampar lá ou dormir no abrigo Rebouças, é preciso fazer reserva com antecedência. Essa reserva pode ser feita com 30 dias de antecedência do dia desejado, através desse site.

Nós tentamos duas vezes antes de conseguir a vaga. Primeiro porque queríamos ir com amigos, mais de 10 pessoas. A capacidade do camping são 16 barracas, sendo que 4 ficam abertas para pessoas que chegam sem reserva, no dia. Exatamente a meia-noite entramos em duas pessoas no site e tentamos fazer a reserva para 4 barracas cada uma. Mas efetivamos nossa tentativa 00:04. Não foi dessa vez, naquele final de semana não conseguimos efetivar a reserva.

Decidimos outra data e exatamente meia-noite da noite de 30 dias de antecedência, lá estávamos nós de novo. E dessa vez conseguimos, reservamos 8 barracas! Parecíamos crianças ganhando um doce delicioso! É sempre assim? Para a temporada de montanha sim (junho a agosto), para grupos maiores, sim. E for fora desses meses ou nesses meses apenas uma barraca, isso não será problema.

E aí começamos os preparativos. Ver quem realmente iria, decidir comidinhas e nos prepararmos para a previsão do tempo (torcendo por tempo aberto).

A previsão era de tempo bom, mas bem frio. Uma dica de boa previsão para lá é o Accuweather, que é bem preciso.

Lá no parque também tem uma pequena estação meteorológica que é muito boa, e sempre vale o acesso para saber quais são as condições atuais de lá. Dá um olhadinha!

Para entrar no parque precisa pagar. Para acampar também. Mas sabe, a gente paga com prazer porque o parque está tão bem cuidado, tão bem controlado. Bom seria se esse exemplo fosse seguido por todos os parque brasileiros! Os preços podem ser checados aqui.

Aliás, esse guia do Visitante do parque do link acima tem muitas informações super úteis. Vale a pena a leitura dele!

Saímos 6 da manhã de São José dos Campos. Para nós são duas horas e pouquinho de viagem.  Na entrada da estrada do parque, num lugar chamado Garganta do Registro, tem uns cafés com pamonha, pão com linguiça, queijos canastra. Enfim, parada quase obrigatória na ida e na volta!

Chegamos 8 e pouco no parque. Para nossa surpresa, o lugar do camping só tem vaga para 4 ou 5 carros. E já estava cheio das pessoas que tinham chegado no dia anterior. Liberaram dois carros para entrar (nós estávamos em 6). Então separamos os maiores carros e colocamos todas as coisas nos dois e algumas mães e as crianças. E o restante das pessoas foram a pé. Na chegada a maior diversão foi escolher o lugar da barraca (o camping muito organizado já tem os lugares pré-definidos e bem demarcados) e começar a montar. As crianças não cabiam em si de tanta felicidade! E como lá tb tem muuuuuita pedra, os pequenos escaladores subiam as pedras o tempo todo. Sempre tinha um pai que precisava estar acompanhando essas pequenas mãozinhas intrépidas.

Escolhemos fazer a base das prateleiras no primeiro dia e a base do Agulhas no segundo.

Para almoço, nós dividimos uma refeição para todas as crianças para cada mãe. Então no almoço do primeiro dia foram iscas de frango à milanesa, penne sem molho, tomatinhos, pepino, cenourinhas. Para os adultos cada casal levou seu lanche.  A caminhada para a base das Prateleiras tem uns 4km, de subidas, descidas e planos. Não é fácil para crianças pequenas. Os bem pequenos foram em mochilas e os maiorzinhos caminharam. Principalmente o final da caminhada é mais complicado, bastante trepa pedra com certa exposição, que requer cuidado com eles e mesmo conosco quando carregamos eles. Mas nada que não dê pra fazer.

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Primeiro almoço da galerinha.
Outra opção, que duas famílias que estavam conosco fizeram, para evitar o trepa pedras e ir para a Pedra da Maçã, que tem uma caminhada mais fácil e uma base de pedra grande onde as crianças podem se divertir bastante, mas não tem a vista de cume. As duas opções são ótimas, dependendo da motivação e o que faz sentir mais confortável! Para ir para a base do prateleiras, é legal que sejam pessoas habituadas com montanha (ao menos para ir com crianças) com conhecimento de caminhar com mais exposição.

E o presente foi a vista linda que curtimos lá de cima. O piquenique nas alturas e a sensação de fazer o que mais faz bem para nossa alma!

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um dos fotógrafos e malucos por filmes (dá pra notar né).

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No meio do trepa pedra.

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Pedras a vencer!

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descanso merecido

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Aproveitando a trilha

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No cume, deu 5 minutos e cadê o Bruno? Quando vimos, tinha corrido com uma galera que estava escalando a Sexto Sentido, uma via na base das Prateleiras e ele conseguiu uma brechinha para conhecer essa via linda!
Voltamos felizes e realizados (e pra baixo todo santo ajuda né). Ao chegarmos, o friozinho chegou conosco. Quando o sol se põe na montanha, o frio chega muito rapidamente. Então tratamos de agasalhar bem as crianças e fazer a jantinha deles para esquentá-los. E é claro, como bons habitantes das montanhas, dormir com as  galinhas.

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Pra baixo todo santo ajuda!
Algumas dicas para quem ainda não acampou com crianças em lugares mais frios. È extramente importante, para todos, um isolante térmico, que é como um colchãozinho, que pode ser enchido com ar ou tem alguns de borracha. Ele tem a função de isolar a friagem do solo e faz toda a diferença! E depois um colchão de ar e cobertores ou saco de dormir. Ah, só o colchão de ar direto no chão também passa a friagem, então com colchão de ar também é necessário colocar um isolante por baixo. Bom saco de dormir e cobertores!

Para roupas, sempre uma segunda pele (aquele minhocão de antigamente também vale), ou as roupas térmicas tipo encontradas ne Decatlhon, que são técnicas e tem a função de manter a temperatura corpórea estável. Aliás, acho essas roupas importantes para se ter. Elas são coringas para inverno e passeio em lugares mais frios.

Por cima das roupas térmicas ou minhocão, um fleece, dependendo do frio um fleece mais grosso e um jaquetão. Mas isso chega a prepara-los até para a neve. Em caso de não ter essas roupas técnicas todas, uma camiseta de manga longa de algodão, uma blusinha de lã, um moletom grosso e uma jaqueta. Para adultos e crianças.

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Já agasalhadinho para o frio da noite, brincando enquanto o jantar é preparado.

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A mamãe aqui esqueceu luva!!! Foi com meia mesmo. Ela adorou!
Voltando ao jantar, as crianças tomaram uma deliciosa sopa que uma das queridas mães levou congelada para todos! Tomaram, repetiram e se deliciaram! Eles estavam tão entusiasmados com as lanternas, a noite que caiu, as estrelas, a sopa em estilo piquenique, todos juntos na maior festa. Eles estavam suuuper cansados também, pois caminharam muito, então foi só comer e já estavam prontos para dormir. Ah, banho nem pensar, não podíamos esfriar aqueles corpinhos…eles tomariam banho no dia seguinte, quentinhos em casa.

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Banquete da noite. Esse é o abrigo do camping, fica protegido do frio e com mesa, um luxo só!
Para os adultos, cada casal novamente com sua comida. Teve cardápio super variado, arroz com vários ingredientes, massa com cogumelos e creme de leite, feijão com linguiça…e um vinho porque o frio estava intenso!

Uma linda noite estrelada, fotos noturnas e cama, porque o dia seria intenso!

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Como presente, noite de lua cheia!
Pegamos 4 graus negativos!!!! Um frio que doía tudo pela manhã! Os pais com certeza sofreram mais o que as crianças a noite, pois ficamos a noite toda preocupados se eles não estavam saindo do saco de dormir, se descobrindo, etc. Eles estavam descansados e felizes!

De manhã, até o rio estava congelado! Uma experiência inesquecível!

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Rio congelado

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Caminho congelado

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e a atração da manhã, gelo por todo lado!
Café da manhã no sol para esquentar do corpo, com alegria de quem via o sol nascer num lugar especial, de quem desfrutava da companhia de amigos com a simplicidade e a grandeza desta paisagem e estávamos prontos para mais uma aventura.

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Café da manhã na “cozinha” do camping. Bora esquentar o corpo!
As barracas precisam ser desmontadas até as 9 da manhã, para não pagar mais uma diária. Fizemos isso, colocamos as coisas no carro e então fomos para ponte pênsil, antes da base do Agulhas. A caminhada é bem mais leve, praticamente plana. Mas não por isso menos bonita! As crianças podem caminhar sem riscos, tem uma ponte que eles adoraram. E várias pedras no caminho para escalar. Uma vista bonita entre Agulhas e Prateleiras.

Voltamos fazendo bagunça no carro, comemos lanche na para quase obrigatória da garganta do registro e viemos pra casa de alma refeita. E já pensando quando e onde seria a próxima aventura.

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Carinha de realizados no segundo dia nesse paraíso!
Aos amigos que tornaram essa viagem inesquecível: Luka, Eduardo, Purga, Lika, Ciça, Júlio, Camila, Shibas, Alvadi e Taciane e as crianças que foram a motivação desse lindo encontro: Theo, Nina, Alécia, Sofia, Léo e Pedro…obrigada por tudo!

 

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Família unida na base das Prateleiras

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Um pouco da paisagem da base das Prateleiras

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Bruno na trilha com os pequenos

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Momentos na linda trilha

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Alguem capotou na volta

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Theo e Leca aprontando

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Ponte da trilha das agulhas

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Nina na ponte

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Ponte do Agulhas

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Theo e Leca

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Ponte de saída para trilha do agulhas

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Mama 🙂